Move to Heaven. Uma viagem emocionante pelo luto e relações humanas.

Mesmo sendo um assunto tabu, a morte é algo que diz respeito a todos nós. A nossa morte e a morte dos quem nos é querido. Cada morte trás consigo histórias, algumas delas escondidas em vida mas muitas vezes desvendadas após a partida de alguém.

“Move to Heaven”, uma das recentes series coreanas da Netflix, foca-se nessas histórias. Trata-se de uma firma composta por um pai e filho, com síndrome de Asperger, que fazem “limpeza de traumas”. Ou seja, alguém encarregado na limpeza de locais após a morte de alguém. Além da limpeza, estes recolhem objectos que pertenciam aos falecidos. Objectos que comportam uma história e uma mensagem que é partilhada às pessoas que lhes são queridas. Cartas, dinheiro, extratos bancários, bilhetes, etc.

Além de retratar casos diferentes ao longo dos episódios, “Move to Heaven” tem uma história central que retrata a cura de um trauma e expõe as fragilidades das relações humanas. O proprietário da firma e pai do rapaz com Asperger morre e deixa a guarda do filho para o irmão que o odeia. Com o avançar dos episódios presenciamos à evolução do sobrinho e tio e à descoberta dos motivos que afastaram os irmãos em vida.

É fácil perceber pela descrição que “Move to Heaven” é uma série emocional. E é aí que está o grande trunfo da série, esta retrata as relações humanas de uma forma delicada mas sem ser uma série lamechas. Ao contrário do que várias séries dramáticas coreanas tendem a ser.

São 10 episódios no total que se vêm rápido, que nos emocionam e trazem consigo várias mensagens positivas.

Vincenzo. Provavelmente o K-Drama do ano

Faltam dois episódios para terminar a transmissão internacional de “Vincenzo” via Netflix (em Portugal a série estreia-se na semana seguinte, precisamente a 9 de Maio). Por isso, vou arriscar um balanço sem ver os episódios finais que serão transmitidos este fim de semana.

“Vincenzo” é uma série coreana que mistura humor (por vezes a rondar o nonsense), drama, thriller e ação. Conta a história de um sul coreano que após ser abandonado pela mãe em criança é adotado por uma família que lhe leva para Itália. Em Itália torna-se um consigliere e um dos membros mais temidos de uma família da Mafia italiana. Anos mais tarde regressa ao seu pais de origem para tratar de assuntos pessoais mas acaba por se envolver numa luta contra uma um poderoso e mal intencionado conglomerado.

Se o mote de “Vincenzo” é “apenas um monstro pode vencer outro monstro” a série também traduz uma luta interna do personagem principal em não (voltar a) libertar o monstro dentro de si.

Os primeiros episódios trazem uma série engraçada mas que (aparentemente) custa a engrenar. Ai presenciamos a luta entre um advogado, que dedica a sua vida em lutar pelos desprotegidos contra os poderosos, e o conglomerado atrás referido. Do outro lado da barricada está a filha deste advogado, que trabalha para uma grande firma de advogados e que representa o conglomerado. Até que após o final do terceiro episódio e inicio do quarto as coisas mudam.

Este final do terceiro episódio e o quarto episódio representam uma mudança na série. Representa por isso, um vislumbre do que acaba por se tornar a série. Os primeiros episódios começam numa toada mais leve e humorística mas a partir desta transição a vertente de thriller deste K-Drama começa a ser desvendada até atingir contornos épicos. No entanto apesar da crescente tensão na série os momentos de humor nunca são esquecidos.

Se a série se apresenta a um nível satisfatório na vertente humorística (embora algumas situações de humor me pareçam um pouco forçadas) é na vertente mais dramática e de suspense/ação que “Vincenzo” mais brilha. A série dá a ideia inicial de se tratar de uma sátira aos filmes de máfia mas depressa toma uma caminho muito próprio resultando numa série irreverente e engraçada mas também tensa e visceral (com momentos à John Wick). Para mim a melhor produção do ano em termos de K-Dramas e uma das melhores em geral.

Tremendas atuações de Song Joong Ki (Arthdal Chronicles, Space Sweepers) , Jeon Yeo Been (Night In Paradise) e Taecyon. Sempre muito bem acompanhados pelos personagens secundários.

Nota adicional após visualização do final da série:

Final de “Vincenzo” visto. Um dos finais mais satisfatórios de sempre em séries.

“Vincenzo” representa um marco nos Kdramas, trazendo para as séries coreanas a visceralidade patente nos filmes de gangsters coreanos, conjugando com isso uma comédia quase negra.

Uma das séries mais “full package” que já vi. Comédia, drama, ação, suspense e até um romance (não sendo o foco da série) muito bem entregues.

Deixo aqui mais alguns momentos da série. Podem conter spoilers.

Kdramas preferidos. Parte I

Sou um viciado em séries de TV desde que me consigo lembrar. Em 2018 assisti ao meu primeiro Kdrama (série de tv coreana). A partir daí mergulhei num mundo totalmente novo de entretenimento televisivo. Afirmo desde já que nem tudo que é série coreana é ouro. Uma boa parte dos Kdramas têm um estilo semelhante aos das telenovelas ainda que com um estilo e ritmo narrativos diferentes. No entanto, há uma abundância de títulos muito interessantes. Deixo aqui uma primeira parte de uma lista de kdramas que realmente me impressionou.

Mr. Sunshine

Uma ficção histórica sobre a ocupação japonesa de Joseon (actual Coreia). Um filho de escravos que foge de Joseon para os Estados Unidos e regressa, sedento de vingança, como um oficial americano numa missão. Contudo, o seu envolvimento com uma nobre mulher, que é membro da resistência coreana, muda os seus planos.

Apesar de um ritmo lento (especialmente na primeira metade do drama), atinge contornos épicos. Uma história de patriotismo e amor em tempos de guerra.

Cinematografia, banda sonora, encenação e atuações de alto nível!

Gun, glory and sad ending.

Signal


Um detective profiler consegue, através de um walkie-takie, comunicar com um detective do passado que está desaparecido no presente. Com isso (e com uma equipa liderada pela antiga parceira do detective desaparecido), eles conseguem resolver casos que ainda não foram resolvidos ao longo dos anos. Um drama policial envolvente baseado em casos reais e com personagens carismáticas e casos intrigantes. Uma série bem produzida, bem realizada, bem escrita, e com atuações excelentes.

Chicago Typewriter


Duas histórias interligadas, mas em épocas diferentes. Uma na actual Coreia do Sul e a outra na antiga Joseon durante a ocupação japonesa. Uma comédia romântica que mistura fantasia, muito humor e também momentos dramáticos sobre a resistência coreana durante a ocupação japonesa. Enquanto a história da era Joseon nos dá uma carga dramática, a história actual é mais leve e cheia de momentos de humor.

Uma série impressionante sobre a amizade e o patriotismo.