Weather Systems – A boa/má noticia para os seguidores de Anathema

Em Setembro do ano passado, os Anathema decidiram suspender a sua atividade por período indeterminado. Uma noticia que deixou os apaixonados seguidores da banda (eu incluído) perto do desespero.

Este ano surge uma boa/má noticia. Aparte do seu trabalho a solo, Danny Cavanagh, o mentor da banda (a par do seu irmão Vincent) e principal compositor decidiu iniciar um projeto que continuasse o trabalho desenvolvido pelos Anathema. A continuação da música da banda de Liverpool. Por enquanto, este é um projeto de Danny mas com possibilidades de se expandir. Este projeto tem o nome de Weather Systems, inspirado no álbum da banda com o mesmo titulo.

Se é um fato que a criação deste novo projeto significa que o regresso dos Anathema não será para breve (se algum dia acontecer), por outro lado significa que o seu legado será continuado.

Danny tem partilhado (no seu perfil Soundcloud) o trabalho desenvolvido até à data, que conta já com duas demos “de baixa qualidade” e uma cover do tema “Day One” de Hans Zimmer para o filme “Interstellar”. Estes temas serão parte integrante do álbum de estreia intitulado por “Ocean without a shore”.

De referir que a adaptação de “Day One” conta com a participação e produção de Daniel Cardoso, músico português que integrou a mais recente formação dos Anathema.

Eis os temas:

Day One

Weather Systems

Still Lake

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Iberia – Much Higher Than Hope

Trata-se de um disco com 5 anos mas que tenho ouvido com maior incidência recentemente. É o disco de estreia de Hugo Soares como vocalista da mítica banda portuguesa. Um voz que representa um claro upgrade em relação aos seus antecessores.

A música também mudou. Agora um Hard’n’Heavy moderno e mais musculado. “Much Higher Than Hope” é um disco recheado de um leque de fantásticos temas, alguns mais orelhudos do que outros. Dentro delas destaco “The End of Days”, “How I Miss You” e “Rising Inferno”.

Com mais de 30 anos de existência, os Ibéria demonstram que estão para as curvas e o seu disco nada deve ao que de melhor se faz dentro do género por esse mundo fora.

Ethereal – Towers of Isolation

Uma review a um álbum com mais de 15 anos? Porque não? Porque os Ethereal estão de volta e porque “Towers of Isolation” É um dos melhores álbuns que o underground nacional já nos deu. Metal progressivo com um toque sinfónico (mais do que o gótico que lhes é associado). Podíamos comparar com os Therion, Opeth e Katatonia mas basta ouvir um pouco de Ethereal para depressa percebermos que o seu som tinha (tem) uma sonoridade distinta.

Composições arriscadas e inteligentes, vozes (fantástico registo de Hugo Soares) que emprestam profundidade dramática a uma linha que alia peso com melodia. Lançado três após o álbum de estreia, “Towers of Isolation” parecia levar a banda para outro patamar mas infelizmente esta entrou em implosão. O seu regresso é uma excelente notícia.

Soundscapism Inc. – Afterglow of Ashes

Sou um confesso admirador dos trabalhos de Bruno A. desde os magníficos Vertigo Steps, passando pelos Architects Of Rain até a Soundscapism Inc..

Este último projecto (não o mais recente) conta com um álbum recentemente lançado e denominado por “Afterglow of Ashes” onde Bruno volta a demonstrar que é mestre em tecer belíssimos tecidos musicais. Detentora de uma melancolia inquestionável, a música de Soundscapism Inc. impressiona pela cinematografia, ambiência e texturas musicais riquíssimas.

Já disse no passado e reafirmo, Bruno A. tem o dom de fazer composições e arranjos requintados e complexos parecerem simples. E faz isso sem amarras a estilos e géneros.

Quanto a “Afterglow of Ashes”, é o mais equilibrado e maduro dos registos lançados até à data.

Bruno faz da música o seu meio de escape preferido e nós devemos estar gratos por isso.

Ry X. Detox Musical

Ry Cuming, reconhecido no meio artístico como Ry X é um versátil musico australiano que afirma ter como grandes influências os Pearl Jam e Jeff Buckley. Contudo, ao contrário destas grandes referências, a musica de Ry X percorre mais os campos do Folk, deambulando pelo Indie, música eletrónica e Dream Pop.

Com uma discografia composta por 3 álbuns (“Dawn” de 2016, “Unfurl de 2019 ” e “Live From The Royal Albert Hall” de 2021) e vários Ep’s e singles, a música de Ry X caracteriza-se por uma delicadeza tremenda, recorrendo maioritariamente a uma base minimalista (viola e/ou piano) ainda que com arranjos arrojados. Bem demonstrativo desta faceta é “Beacon” do álbum de estreia.

Numa altura em que a música parece cada vez mais formatada, músicos como Ry X surgem quase como um Detox musical, em que a emoção e a fragilidade de uma bela voz marcam a diferença em contraste com músicas que mais parecem saídas de uma linha de produção. Neste aspeto, parece-me partilhar alguns pontos em comum com a música dos Bon Iver. Ainda que com uma textura mais rica.

Architects of Rain. Reencontro de talentos.

Bruno A. (Arcane Wisdom, Vertigo Steps, Soundscapism) e Alexandre Santos (Scar for Life, DNA e Stagma). Amigos de longa data, voltam a marcar encontro num novo projeto musical depois da sua longínqua aventura em Redstains. O resultado da junção destes dois versáteis músicos é Architects of Rain, e mais especificamente o EP de 4 temas intitulado por “Ghost Notes” lançado no ano passado.

Ambos fazem-se acompanhar por Usama Siddiq (The D/A Method, Usama Siddiq) e Manuel Costa (Flux, Klepht, além de várias bandas de tributo) para a secção rítmica. Contando também com a colaboração de Tobias Umbach no piano em dois temas.

Gravado, misturado e masterizado entre Berlim e Lisboa,  “Ghost Notes” é um trabalho em que é notória a identidade musical dos seus dois autores. Se o lado mais introspetivo, cinemático e ambiental de Bruno A. que bem conhecemos nos discos de Soundscapism Inc. é mais evidente, a faceta mais elétrica mas melódica dos trabalhos de Alex é também patenteada.

Os 4 temas são autenticas viagens, pérolas musicais para os apreciadores do post-rock/ambient onde o guitarra elétrica coabita em harmonia com a acústica, bem acompanhadas pelos teclados/sintetizadores, ebow, mellotron, além da secção rítmica que permite fluir a música. 4 viagens das quais saímos enriquecidos pelos pormaiores que vamos encontrando. 4 viagens que apetecem repetir sempre que terminam.