Conto

people on beach during daytime
De Fawaz Buqammaz via Unsplash

Era uma tarde como tantas outras naquele inverno quase primaveril. O sol brilhava e a temperatura estava agradável para um passeio. Um passeio à beira mar a só como tantos outros.

O passeio tinha um fim. O encontro com amigos para uma tarde de copos e muita conversa à mistura. Claro que ele ouvia mais do que falava. Era quase sempre assim.

Encontra os amigos num café à beira mar plantado que era o ponto de referência para muitos encontros e desencontros. Repara que no grupo estão alguns elementos novos. Ele que já não se encontrava com o grupo fazia uns meses. Uns meses que representavam um dos muitos períodos de isolamento auto-infligido. Apesar de ter um ciclo social considerável ele não conseguia evitar de se isolar durante largos períodos.

Não tarda, começam a apresentá-lo ao resto do grupo. Dos novos elementos o seu maior foco está está uma rapariga ligeiramente mais jovem e sempre sorridente. Apesar do esforço ele não consegue desviar o olhar da jovem que sorri para ele. Naqueles momentos a animação existente no grupo é algo difusa e distante. Apenas há espaço para o sorriso da rapariga.

Final de tarde e começam todos a despedir-se e a marcar encontros para a noite. Ele desmarca-se dos encontros noturnos e prepara-se para ir embora quando a rapariga dispara. “Não tenho ninguém em casa e tenciono jantar fora. Ninguém me quer fazer companhia?” De imediato um dos amigos pega-lhe pelo ombro como se ordenasse para fazer companhia à moça. “E-Eu adoraria”. Responde soluçando.

No restaurante as palavras não saem. No principio nem lhe importava muito pois bastava-lhe apreciar o olhar da rapariga à sua frente. O olhar e aquele sorriso irradiante. Com o evoluir do tempo começa a sentir-se desconfortável. “Preciso de dizer algo mas o quê?” Pergunta-se  a si próprio. Ela parece mais confortável e pergunta “Há quanto conheces o pessoal?”. “Ui! Mais de 10 anos. Temos tantas histórias juntos”. E começa a partilhar algumas das aventuras e desventuras daquele grupo de amigos.

Ele insiste em a acompanhar a casa a pé, apesar do percurso ser inverso ao da sua casa. Quando ele se prepara para se despedir, ela abraça-o deixando-lhe desarmado. Ele é invadido pelo doce aroma da rapariga e pelo seus cabelos que pareciam seda. “Obrigado por me fazeres companhia! Gostei muito deste tempo contigo”. Confessa a rapariga voltando a sorrir.

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Maria Ramos

Gostei muito do conto. Esperava por um final feliz.
Parabéns

Andreia Neves

Está muito bonito. Gosto do toque de vulnerabilidade.

Carla Sofia

Recheado de subtilezas e vulnerabilidades. Adkrei!

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